O Arquiteto e a Vida Na Cidade

Hoje pela manhã estava sentada tomando café e lendo a Zero Hora, quando me deparo com um reportagem sobre os arquitetos, fiquei muito espantada, pois muito pouco vejo falar sobre a minha profissão ainda mais no jornal, lembro-me até do que os meus colegas brincavam comigo, que arquiteto quando aparecia em reportagem era quando o prédio desabava, mas sempre respondi contrariando que um dia o arquiteto seria lembrado e visto de uma maneira mais decente na sociedade.

E hoje quando me deparei com essa reportagem fiquei bem surpresa, porém concordo em grande parte que no que o Arquiteto Edson da Cunha Mahfuz, professor da UFRGS disse. E também me veio relembrar da discussão da minha ultima aula na quarta feira com a professora Arq. Patrícia, onde falávamos na desvalorização da nossa profissão, que hoje parece ser tão fácil resolver os problemas urbanos da cidade, mas esquecem que a cidade tende a aumentar e que a economia não deve ser o principal motivo de modificações, mas sim um incentivo, pois muitas vezes apenas solucionar o problema naquele momento não é o suficiente temos que ver o amanhã, e é pra isso que existe o arquiteto urbanista, ele não ficou de 6 a 8 anos na faculdade apenas aprendendo a desenhar e tem uma visão que o advogado, o economista ou outro profissional não tenha.

Os governos hoje não pensam assim, eles apenas querem que sejam reconhecidos naqueles momentos, ao que lhe dá dinheiro, o amanhã fica pro próximo mandato… E a profissão tão importante para a cidade que é a do arquiteto fica em segundo plano. Vamos buscar solucionar os nossos problemas com que possa resolve-los da melhor maneira possível e de preferência sem retrabalho!

Para quem não leu a reportagem abaixo algumas frase que achei muito boa:

“a sociedade não parece estar exatamente ávida pela nossa opinião, nem demonstra nenhuma carência consciente em relação ao nosso trabalho.”

“Não obstante a relevância que Fischer atribui corretamente à arquitetura, e a caracterização dos arquitetos como profissionais que, pelo seu conhecimento profundo da arquitetura e das cidades, deveriam estar prestando maiores serviços à sociedade, a verdade é que, na sociedade do século 21, nossa profissão se tornou superficial e acessória. A sociedade parece seguir em frente sem arquitetura e urbanismo? Afinal, pouco do que é construído tem a participação de arquitetos. Se deve fazer isso é outra discussão, mas está mais do que comprovado que é possível, embora as consequências possam ser nefastas do ponto de vista da qualidade de vida.”

“Existem vários motivos para a decadência da arquitetura e, consequentemente, do papel dos arquitetos na sociedade nos tempos atuais. Um deles tem a ver com o fato de que o mundo atual parece ser regido pelos valores do mercado? e da sociedade de consumo que o define?, o que atinge, embora de modo parcial, inclusive os redutos mais resistentes da cultura. Entre esses valores estão o lucro imediato como objetivo primordial, a obsolescência planejada, a exacerbação da personalidade individual e o uso das situações de impacto como recurso promocional. Ao abraçar esses valores, a arquitetura passa a ter um papel instrumental e subalterno na sociedade. Prova disso é o fato de que a maior parte das decisões sobre o meio ambiente construído ou os objetos de uso já não passam pelas mãos de arquitetos, estando agora dominadas pelos aspectos prospectivos do marketing. Nesse cenário há pouco espaço para conceitos como o bem comum, a preservação ambiental e cultural, e a busca de soluções arquitetônico-urbanísticas adequadas e permanentes, as quais tem retorno a longo prazo.”

“Outro motivo da decadência do papel e do valor do arquiteto tem a ver com a falta de interesse real pela cidade por parte tanto do público como do poder público. Em qualquer cidade em que qualidade de vida seja algo real e não um slogan publicitário, a sua administração estuda a cidade, identifica áreas com potencial de desenvolvimento e literalmente projeta o seu futuro. Assim, raramente é pega de surpresa por situações como a do Pontal do Estaleiro? cuja verdadeira questão, por falar nisso, não deveria ser permitir ou não a construção de imóveis residenciais, mas se deveríamos construir na orla. Ao contrário de projetar e induzir o futuro, definindo o que deve ser feito em cada parte da cidade, nossas administrações limitam-se a criar restrições? de uso, de ocupação, de altura, etc. Isso faz com que estejam sempre “apagando incêndios”, tendo que responder apressadamente e sob intensa pressão às demandas dos empreendedores. Prova da visão equivocada dos governos a respeito do urbanismo e da arquitetura é o fato de que secretários de urbanismo e planejamento raramente são técnicos: ou imagina-se que qualquer um pode exercer cargo de tal importância para a vida de todos com igual eficiência ou, como não entendem a sua relevância, o tratam como mais um posto a ser incluído nos acertos entre partidos. É muito revelador que a arquitetura e o urbanismo continuem sem fazer parte da cultura dos cidadãos.”

(O arquiteto e a vida da cidade / Arquiteto Edson da Cunha Mahfuz entra no debate provocado pela coluna Pesqueiro, do professor Luís Augusto Fischer / Zero Hora edição 29 de agosto de 2009 | N° 16078)

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