Arquivo da categoria: Arquitetura e Urbanismo

Dica do Dia – PI de Pisos

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Nos dias em que as pessoas resolvem fazer aquela reforminha por conta própria fui pega de surpresa por um amigo querendo saber qual era o melhor PI de piso para ele comprar para colocar no pátio… então resolvi deixar aqui essa dica!

O PI é onde podemos contatar a resistência à abrasão do esmalte cerâmico do piso ou revestimento, isso quer dizer o quanto o brilho do piso é resistente. Ele é classificado em 5 etapas PI1, PI2, PI3, PI4 e PI5, quanto maior o numero maior também é a resistência do seu esmalte. 

Onde é indicado cada PI:

PI 1 indica um esmalte frágil, não aceitando nenhum tipo de atrito, seu uso deve-se ser apenas para revestimento em parede, (azulejos)

PI 2 indica um esmalte não tão frágil já pode ser utilizado como piso só que em lugares de pouco tráfego como banheiros, lavanderia e também pode ser revestimento.

PI 3 indica esmalte de uma boa durabilidade e é usado onde há um tráfego de pessoas com certa intensidade é o tipo mais usado para quartos salas e cozinha na residência.

Os PIs 4 e 5 indica esmalte muito rígido e que se desgasta, são indicados para lugares com extremo tráfego de pessoas ou de peso, são indicados para quintais, garagem, lojas comerciais.

Aqui vale uma observação para garagens e quintais o ideal é alem de ter PI 4 ou 5 o piso ainda ser áspero, pois isso ajuda a não escorregar, e a parte externa da casa normalmente é vulnerável a chuvas e portanto pode estar molhadas, se for piso liso facilita escorregões e tombos.

Mas fica a maior dica do dia! Contrate um arquiteto para te ajudar mesmo na reforminha… você vai ter uma economia significante e vai se incomodar menos!

Um ótimo final de semana a todos!

Concurso Fecomércio RS 2011

Resolvi fazer este post por descargo de consciência e um pouco de dor de cotovelo também… pois eu ia participar deste concurso, já estava tudo certo até com a inscrição paga nós estávamos, seria o primeiro concurso que participaríamos como arquitetos, Lucas, Diana e Eu, porém não foi dessa vez… Para se participar de concurso precisa de muita documentação e como não temos empresa, íamos fazer pelo escritório que o Lucas trabalha, mas infelizmente não conseguimos juntar as informações necessárias a tempo de participar, então nos remoendo de raiva fomos ver os ganhadores do concurso e segue abaixo as imagens dos projetos…

 

1º Lugar – Curitiba/PR

Responsável Técnico:  Emerson José Vidigal – V A Arquitetura

Co-Autores: Eron Danilo Costin, Fabio Henrique Faria, João Gabriel de M. R. Cordeiro

Colaboradores: Dario Corrêa Durce, Lucas Roni de Lacerda, Martin Kaufer Goic, Moacir Zancopé Junior

Consultores: Alessandro Filla Rosanelli

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2º Lugar – Porto Alegre/RS

Responsável Técnico: Gabriel Cruz Grandó – IDEIA1 Arquitetura e Planejamento

Co-Autores: Cristina Ferreira Martins, Marcos Rodrigues Laurino

Colaboradores: Camila Sanvitto, Marta Kessler, Juliana Silva, Luis Rocha, Simone Weber

Consultores: Claudia Dalligna, Giancarlo Gasparotto, Elvis Carpeggiani

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3º Lugar – Porto Alegre/RS

Responsável Técnico: Tarso Carneiro – A T Arquitetura

Co-Autores: André Luiz Detanico, Maurício Ceolin Rosa, Juliana Costa Schnor, Juliana Machry Cadó, Marco Lenz Calheiros, Otavio Henrique Konig

Colaboradores: Fabiane Roncarelli Rodrigues, Karine Cardoso Damásio, Eduardo Saavedra

Consultores:Paulo Stum, André Krebs, Paulo Cezar F. Rosa

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Vendo esses e pessoalmente os demais que participaram é ai que vem a dor no coração… nós tínhamos condições de pelo menos desbancar o terceiro… mas infelizmente não foi dessa vez…

 

Imagens site www.concursodeprojeto.org

 

 

 

Frases de arquitetos – parte 1

Estava olhando um site quando me deparo com esta frase do Renzo Piano:

“A arquitetura é uma profissão de serviço, porque é isso que ele é: um serviço. A arquitetura é um complexo de escritórios, porque o momento formal expressivo é um momento de síntese fertilizado por tudo o que está por trás da arquitetura, história, a sociedade, o mundo real das pessoas, suas emoções, esperanças e espera, geografia e da antropologia, o clima, a cultura de cada país está indo para o trabalho, e, novamente, ciência e arte. A arquitetura é um ofício artístico, mas, ao mesmo tempo também é uma profissão científica, esta é precisamente a sua peculiaridade.”

E fui a procura de mais frases de arquitetos, pois somos artistas também!

Segue abaixo algumas:

As famosas de Le Corbusier:

Le-Corbusier“A casa é uma máquina de morar”

“A arquitetura é o jogo sábio, correto e magnífico dos volumes dispostos sob a luz.”

“Eu prefiro desenhar do que falar. O desenho é mais rápido, e deixa menos espaço para mentiras.”

Do nosso Oscar Niemeyer

niemeyer“De um traço nasce a arquitetura. E quando ele é bonito e cria surpresa, ela pode atingir, sendo bem conduzida, o nível superior de uma obra de arte.”

 Mies Van de Rohe e suas frases curtas mas que dizem tudo!

Ludwig_Mies_van_der_Rohe“Ser bom é melhor que ser original.”

“Menos é mais.”

 E o Frank Lloyd Wright com suas manias de tudo tem que ser pensado até as maçanetas das portas!

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“Forma segue função: isso tem sido mal interpretado. Deveriam ser um só, junto numa união espiritual.”

 Zaha Hadid e as formas impressionantes na sua arquitetura, tudo por ser feito diferente!

g1_u42196_zaha“Acredito que as coisas podem ser feitas de outra maneira e que vale a pena tentar.”

 Luiz Barragán as cores fortes e formas limpas!

93igSiCGyqi5kbaqE57gcK6Eo1_400“É essencial para um arquiteto saber ver de tal forma que a sua visão não seja dominada pela racionalidade.”

 Walter Gropius e a Bauhaus, não tem como lembrar de um e não lembrar de outro….

220px-WalterGropius-1919“Minha cor preferida é o colorido!”

“A arquitetura começa onde termina a engenharia.”

  Daniel Libeskind é novo para mim… mas concordo, mas ainda acho que não é petrificada hoje ela tem movimento!

daniel_libeskind_image_sdl091007“A arquitetura é música petrificada.”

E a minha favorita que quem conhece meus projetos sabe!

”Não é a linha reta, dura e inflexível, feita pelo homem, que me atrai. O que me chama a atenção é a curva livre e sensual. A curva que encontro nas montanhas do meu país, nas margens dos seus rios, nas nuvens do céu e nas ondas do mar. O universo está cheio de curvas, um universo de Einstein.” Oscar Niemeyer

“As curvas trazem aos projetos a luz no fim do túnel, a humanização do espaço, pois somos todos feitos com curvas e gostamos de conviver com elas.”

Barriga de Aluguel?

Bom o que representa o termo Barriga de Aluguel para você? Coloquei no Google “O que é barriga de aluguel?” e no site Wikipédia me encaminhou para o seguinte termo: “A maternidade por substituição (também denominada gravidez por substituição, gestação por substituição ou popularmente barriga de aluguel/aluguer) é um acordo em que uma mulher aceita engravidar com o objetivo de gerar e dar à luz uma criança que será criada por outra mulher. O tal acordo recebe o nome de contrato de gestação.” (http://pt.wikipedia.org/wiki/Maternidade_de_substitui%C3%A7%C3%A3o)

E o que tem a ver esse título com arquitetura? Ou com nós arquitetos? Ou então com o tema que gostaria de abranger hoje aqui?

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Deixe-me explicar, hoje eu participei de uma palestra feita pelo pessoal do IAB do Rio Grande do Sul, ministrada pelo arquiteto Carlos Alberto Sant’Ana presidente do IAB – RS e também membro do conselho do CREA-RS. Está bem mas e daí? O que tem a ver barriga de aluguel com o IAB? Como o CREA?

Pois é nessa palestra estávamos discutindo e tentando entender com funcionará o CAU, Conselho de Arquitetura e Urbanismo onde entre os participantes tínhamos arquitetos experiente, arquitetos recém formados (eu), professores e alunos do curso de arquitetura, até um engenheiro (Professor Barbedo) hehehe, que caiu de gaiato na palestra, mas ouviu tudo com muita atenção, e dentre os assuntos discutidos estavam normas, burocracias, que a nossa conhecida ART vai virar RRT, que não sei o que significa mas estou indo atrás para me informar, da onde surgiu a idéia de se criar o CAU, como foi a aprovação da Lei que regulamenta o mesmo, dentre tantas coisas, que até a palavra anarquista foi citada, quando um arquiteto Espanhol, que não sei o nome, mencionou que achava a questão do voto obrigatório para a escolha dos membros do conselho uma coisa anti-democrata, o que gerou um pequeno atrito interessante, para quem estava ali como uma ouvinte atenta e tentando não perder nenhum detalhe daquela discussão.

Porque criar o CAU? Teríamos inúmeras respostas para esta pergunta, mas quem sabe, hoje tive uma que não foi a dita pelo palestrante Sant’Ana, mas sim um fato que presenciei: uma arquiteta que parecia ser formada a alguns anos falar em público que arquiteto não pode projetar mais de quatro pavimentos sem um aval de um engenheiro civil!! Em que mundo ela vive? No mundo dos arquitetos que são menosprezados dentro de um conselho que não é só seu, onde somos uma pequena quantidade perto de tantas outras profissões que o CREA e CONFEA regularizam, esse é um dos motivos no qual temos que ter um conselho próprio, até mesmo para esclarecer incógnitas que hoje estão encobertas.

Claro que não é só isso, concordo plenamente com o Professor Cristian Illanes quando ele disse que o CAU deve ir além de leis e burocracia, mas tem que valorizar e abrir o mundo dos arquitetos.

Fiquei surpresa em saber que apenas os arquitetos vão fazer parte desse conselho, que Designers, técnicos em edificações e afins vão permanecer no CREA ou em outros órgãos que os regularize, na minha opinião, isso poderia ser revisto, ou então que me perdoem essas profissões, que fossem extinguidos e lançados como especializações de arquitetos, mas como sou apenas uma voz na multidão…

Teria assunto para discutir sobre o CAU x CREA x CONFEA mais uns vinte parágrafos no mínimo, mas fico por aqui hoje.

Ah e a Barriga de Aluguel fica aonde? No final da palestra saímos eu e mais alguns colegas que se formaram junto comigo e de repente um deles me larga essa: “O CREA é como se fosse uma Barriga de Alguel para os arquitetos!” O que vocês acham será que é mesmo?

Doces ou potes?

Imagina você ir tomar um café numa cafeteria e ao invés de chegar uma xícara de café e um bolinho vir duas xícaras de café?

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Mágico né!!

Eu amei!

 

Ou então você for pegar a jarrinha de leite e ao invés da jarra você ter uma caixinha de leite transparente aberta!

leite

 

Que tal laranjas gelatinosas?

laranjas gelatinosas

site ensina como fazer: http://www.notmartha.org/tomake/jellofruit/

Ou quem sabe vamos desenhar?

0203lapis de cor

 

Você perdeu o botão da sua camisa… não tem problema o bolinho resolve:

bolinho de costureira

 

E um muito fofo que só podia ser invenção japonesa hehehe

bolinhos japa

Há e não podia falta o biscoito que encaixa na xicara, mas não é qualquer um é um especial para arquitetos!

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Faltam inspirações ou tempo?

mulher no relógioEstou eu aqui novamente com os meus dilemas… Estava olhando os meus favoritos, para ver o que eu tinha salvo para fazer postagens para colocar no blog, tem tanta coisa, mas tanta coisa que desanimei….

E então parei para pensar, falta inspiração? ou então falta tempo?

Fico com a segunda opção… TEMPO.

Mas porque nos falta tanto tempo se a dez anos atrás o dia tinha 24h também e tinha horas do dia que nós não tínhamos nada para fazer… isso me faz lembrar daquela frase clássica que eu dizia para minha mãe, e eu acho que muita gente repetia essa mesma frase: “Mãe o que eu posso fazer? Não tenho nada para fazer…” e logo vinha aquele sermão junto: “Como isso guria, tu não tem um monte de brinquedo para brincar, tu não tem vídeo game para jogar, não tem televisão para assistir, não tem que estudar, e tu ainda me diz que não tem nada para fazer…”

Ah se o tempo voltasse talvez pensaria duas vezes antes de reclamar que tinha tempo de sobra, hoje em que temos tantas coisas para fazer o nosso tempo passando mais rápido do que imaginávamos. O pior de tudo é que não conseguimos administrar essas horas que nós temos, pois se vamos ter uma hora que seja livre por semana, já damos um jeito de completar, pois sempre tem aquela coisa que você queria fazer mas não tinha tempo.

Se o vespertino nos sobra e não fazemos academia ainda, pronto já era uma hora de sobra que na verdade se tornam duas de correria, pois tem que ir para a academia, voltar, tomar banho, e ai se vai no mínimo uma hora e meia.

Viu aqui estou eu, neste tempo que fiquei aqui desabafando podia ter lido alguns sites e formulado um post, mas como não administramos direito o nosso tempo, ele passa e a gente nem percebe, se eu perguntar para você o que você almoçou ontem você sabe me responder sem pensar muito?

O que é um arquiteto? Engenheiro Frustado? Decorador disfarçado?

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“Sou arquiteto…
Aquele que dizem ser engenheiro frustrado,
Decorador disfarçado,
Esquisito, meio pirado,
As vezes alienado,
Outras, por demais engajado;
As vezes de Havaianas,outras engravatado.
Sou arquiteto,
Aquele que chamam de sonhador.
Ah! Pudesse eu ter meus sonhos de volta.
Mas sou ainda um aprendiz na escola da vida.
Dominei a forma, distribuo espaços,
Mas muitas vezes me sinto fora de esquadro;
Perdido em linhas paralelas demais;
Numa escala indefinida.
Mas sou arquiteto, sou poeta, e,Sou muito mais que um sonhador,
Porque possuo em cima da velha prancheta, projetos ….
Projetos para todos os sonhos,
Casas para abrigar um novo amor,
Caminhos para chegar ao arco-íris, e,
Jardins para o aconchego do entardecer
Sou Feliz…Porque sou Arquiteto!!!”

Eu amo arquitetura, mas…

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Sabe, hoje fazem mais ou menos 4 meses e meio que estou formada, quando imaginei o que seria a minha vida pós a faculdade de arquitetura e urbanismo, imaginei tudo, menos o que estou passando…

Me imaginei trabalhando numa empresa enorme, em megas empreendimentos, mandando e desmandando em projetos de arquitetura, podendo criar e executar, indo além do imaginário, ganhando uma $$$$$ com no mínimo quatro cifras bem grandes no meu contra-cheque…. minha situação: estou trabalhando, amém glória a Deus por isso, em uma empresa, não mega em tamanho, mas no nome apenas, mandando e desmandando em estagiários que me contrariam o dia todo, criando projetos de no máximo 250m² chorados e bem baratos, parando no que o teu fornecedor consegue executar, nada de inventar moda, pois se não, ninguém executa. Ah! As cifras… são 4, porém com os descontos as vezes caem para 3 de novo….

Me imaginei chegando em casa, indo ao cinema, ao shopping, a academia, saindo para jantar fora, indo conversar com os amigos, indo em todas as festinhas do pessoal da igreja, dormindo no mínimo 8h por dia… minha situação: chego em casa do trabalho as 18h, mas saio para ir no mercado comprar café para passar mais um noite na frente do pc, vou ao shopping comprar cartucho para impressora que acabou e não tem nada aberto a não ser o shopping as 21h da noite, a academia é a distensão muscular que tive esse dias quando fui me alongar para ver se passava a dor nos ombros, jantar fora de vez em quando, mas principalmente quando esqueço de comprar comida e não dá tempo de fazer nem um ovo frito, conversar com os amigos? Só em ocasiões muito urgentes!! festinhas com o pessoal da igreja tenho ido mas não fico nem meia hora, pois tenho que voltar para casa pois estou podre de cansada… dormir 8h por dia só quando a coluna trava de jeito e não paro nem em pé, muito menos sentada… senão as 4h de sono diárias continuam.

Me perguntaram esses dias se eu realmente tinha me formado, pois estava sempre fazendo trabalhos… daí respondi me formei já graças ao Senhor Bom Deus, mas a minha profissão para iniciantes e para quem não tem paitrocionio, ou mãetrocínio é casca, vai no mínimo uns 3 anos para engajar e poder sobreviver pelo menos com o salário, pois de inicio você paga para trabalhar.

A criatura me olhou e simplesmente me chamou de louca e eu respondi instantaneamente; “Eu amo o que eu faço, pois se eu não amasse tinha largado tudo no segundo semestre de faculdade quando o professor perguntou para mim o que estava fazendo ali? “E eu respondi: ”Arquitetura, um conceito só meu, pois arte não é para ser questionada mas sim discutida” então o resultado disso foi um 4,5 na média, mas aprendi que o conceito de arquitetura é agradar ao cliente e se superar a cada dia! Então a criatura me olhou novamente deu aquele sorriso amarelo, e saiu de perto de mim sem entender uma palavra se quer do que eu tinha dito!

Falando sobre VENEZA, As cidades medievais – Leonardo Benevolo

 

Citação

VENEZA, As cidades medievais – Leonardo Benevolo


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A Veneza medieval
 

"Veneza é uma cidade excepcional, seja na Idade Média seja em nossos dias, pelas características singulares de seu ambiente geográfico e de seu desenvolvimento histórico.

Os habitantes da planície veneziana, para fugir das incursões dos bárbaros que entravam na Itália pelos Alpes Júlios, se refugiaram nas lagunas entre a foz do Pó e a do Tagliamento, que ofereciam um ambiente protegido tanto por terra, quanto por mar. Nasceram, assim, as ilhas intermediárias, alguns centros habitados; entre estes, adquiriu importância Veneza, que se acha no meio da laguna maior (entre as fozes do Brenta e do Piave) e se comunica facilmente com o mar através de um canal natural.

Veneza pôde evitar as dominações dos reinos de terra firme, e permaneceu formalmente sujeita a Constantinopla; pode pois tornar-se o centro comercial intermediário entre o Oriente e o Ocidente e se organizou livremente desde o princípio, sem enfrentar, como as outras cidades, as lutas com os príncipes e os nobres feudais.

A forma da cidade já está definida no fim do século XI e permanece praticamente inalterada em todos os mapas sucessivos, desde o mais antigo de 1346 (uma planimetria precisa, não uma das vistas simbólicas usuais na Idade Média, até aos mapas modernos).

  Veneza é um trecho de laguna urbanizado, localizado onde vários canais convergem entre si e desembocam no mar aberto, através de uma interrupção da nesga de terra dos Lidos. Um destes canais – o Canal Grande – entra na cidade e a percorre por inteiro com seu S muito pronunciado. Na foz do Canal Grande fica São Marcos (o centro político da cidade) e no meio está Rialto (o centro comercial), com a única ponte sobre o Canal: os dois centros estão próximos um do outro em linha reta, e aqui se encontra de fato o núcleo mais antigo e mais denso: o Sexteiro de São Marcos. A rede dos canais secundários – sobre a qual se desenvolve o tráfego das pessoas e das mercadorias – penetra em toda a cidade, que é uma única massa compacta, como as cidades orientais; nela se distinguem os centros secundários: as igrejas paroquiais e os espaços abertos – que se chamam campos – onde se encontram as cisternas para ajuntar água, acessíveis pelos poços. Na zona mais próxima do mar sobressai-se o grande recinto do Arsenal, o estaleiro estadual onde se constroem os navios. A cidade emerge do espelho de água da laguna com seu contorno inconfundível, em forma de golfinho, mas sua estrutura permanece ligada antes à conformação invisível dos fundões, como se vê no mapa do século XIV.

Também os edifícios mais importantes da cidade já estão traçados entre o fim do século XI e o início do século XII.

A Basílica de São Marcos (em cruz grega, imitada pela Igreja de Santos Apóstolos de Constantinopla) é construída entre 1060 e 1094; os dois mercados de Rialto, às margens do Canal Grande, são arranjados em fins do século XI e unidos por uma ponte de barcos; o Palácio Ducal é reconstruído em pedra depois do incêndio de 1105; a divisão administrativa em fronteiras e contrade (bairros) é fixada em 1083.

*Sexteiro era cada uma das seis partes em que estavam divididas algumas cidades italianas.  

Basílica de São Marcos, Veneza, Itália. crédito da foto: Beatriz Brasil. 2008.

  No século XII, cresce a prosperidade em Veneza; no início do século XIII, o organismo político e o ambiente físico da cidade estão definitivamente estabelecidos. O Doge Sebastiano Ziani (1172-78) desmantela o recinto fortificado em redor do Palácio Ducal e abre a praça em L entre o palácio e a basílica, em cuja direção se abrem as lojas dos novos edifícios (aqui se desenrola o solene encontro entre o Barba-Roxa e o Papa Alexandre III, em 1177); por sua ordem, o matemático Nicoló Barattieri levanta, no limite entre a praça e a laguna, as duas colunas de São Marcos e de São Teodoro, e projeta a segunda Ponte de Rialto, de madeira, com a parte central móvel para poder deixar passar os navios.

O Doge Enrico Dandolo (1192-1205) dirige a IV Cruzada para a conquista de Constantinopla e traz para Veneza um grande número de troféus, entre os quais os quatro cavalos de bronze colocados na fachada de São Marcos. As ordens constitucionais da República são fixadas em 1207 a 1220, e definitivamente estabilizadas em 1297, com as leis conhecidas como a Serrata Del Maggior Consiglio (a Barreira do Conselho Maior). Toda a cidade se enriquece e se reforça; por volta de meados do século as ordens religiosas mendicantes se instalam nas zonas periféricas (onde mais tarde, por volta de 1330, dominicanos e franciscanos irão construir as grandes Igrejas de São João e São Paulo e dos Frades. A partir de 1294 cunha-se o ducado de ouro, que mantém seu curso legal até 1797.

Neste ponto está completa a ‘magnifica máquina funcionante’ de que fala Le Corbusier, baseada no rigoroso equilíbrio entre a água e a terra. Mais tarde “chegaram os ‘artistas’; mas tudo já estava regulado, inserido no ambiente, feito pela colaboração de todos”.

A Basílica de São Marcos, inaugurada em 1094, é concluída nos três séculos seguintes com uma espetacular decoração de mosaicos, de esculturas, de ourivesarias. O Palácio Ducal é refeito em formas góticas de 1340 até o fim do século XV. A Praça de São Marcos é ordenada na primeira metade do século XVI por Mauro Codussi, pelo Sansovino e por Sanmicheli. A terceira Ponte de Rialto, de pedra, é construída por Antonio da Ponte em 1592. Palladio (que de 1570 a 1580 é nomeado “proto da basílica”, isto é, diretor das obras públicas venezianas) realiza as duas grandes igrejas periféricas de São Jorge e do Redentor, que olham para a cidade da outra margem da Bacia de São Marcos. Longhena constrói a Igreja da Saúde na embocadura do Canal Grande, para celebrar o fim de uma epidemia de peste em 1631.

 

Detalhe da Basílica de São Marcos e Palácio dos Doges. fotos: Beatriz Brasil. 2008.

 

Nesse meio tempo os engenheiros da República intervêm para manter a integridade do ambiente da laguna, do qual depende a vida da cidade: desviam as fozes dos rios que desembocam na laguna, para evitar o aterro; escavam novos canais, para facilitar a passagem dos navios e para manter em movimento as águas nas zonas insulares; reforçam as nesgas arenosas dos Lidi entre a laguna e o mar com os murazzi (diques), para resistir às marés e aos vagalhões.

Este organismo especialíssimo, frágil e duradouro, baseado em um compacto desenho de origem oriental (e semelhante mais às cidades antigas, bizantinas, árabes, que às européias) mas modificado pelas obras-primas da arquitetura gótica e da Renascença, é representado e enriquecido pelas imagens dos pintores.

Na segunda metade do século XV, é este o ponto de encontro das correntes mais vivas da pintura mundial. Em 1475, Antonello da Messina encontra-se com Giovanni Bellini, em 1495 chega da Alemanha Albrecht Dürer. Veneza se torna o laboratório das experiências e das técnicas mais avançadas: a pintura a óleo, os teleri de grandes dimensões, a tipografia, a gravura em cobre. Os Bellini e Carpaccio pintam os ambientes da cidade, Jacopo dei Barbari grava, em 1500, a grande planta em perspectiva em seis folhas, que representa Veneza pelo sul. Depois no século XVI, a pintura de Giorgione, de Ticiano, de Veronese: uma tradição que influencia a arte européia por mais três séculos.

A ‘máquina’ é posta em crise somente pelas transformações tecnológicas do século XIX e do século XX, quando Veneza deixa de ser uma cidade soberana (em 1797) e cai sob o domínio dos franceses, dos austríacos e dos italianos.

Sob os franceses é completada a Praça de São Marcos, construindo-se os novos edifícios no lado meridional e no ocidental; em San Michele é construído o cemitério, em S. Elena o jardim público.

Sob os austríacos introduz-se a iluminação a gás, o aqueduto, e o trem é trazido para Veneza; para este fim se constrói uma ponte de três quilômetros e meio entre a terra firme e a cidade, e edifica-se a Estação de S. Lucia, no início do Canal Grande.

Depois da ocupação italiana (em 1866), constrói-se um porto moderno – com as bacias para os navios de grande tonelagem, e os trilhos ferroviários sobre os diques – na zona entre S. Lucia e S. Niccolò, finalmente é trazido para Veneza também o automóvel, construindo-se uma segunda ponte paralela à primeira, e uma esplanada de chegada com duas grandes garagens de vários andares (1932). O Canal Grande – que tem duas novas pontes na Academia e na estação ferroviária – é percorrido por pequenos barcos a vapor, que fazem as vezes dos bondes e dos ônibus das cidades de terra firme; para encurtar seus percursos, abre-se um novo canal – o Rio Novo – que corta a asa superior do Canal. Entrementes, surgem o novo bairro balneário no Lido e a zona industrial em Marghera, em cujo redor se desenvolvem os subúrbios de terra firme, que tem agora o dobro da população do centro insular.

Grande Canal e ponte Rialto. Crédito da foto: Beatriz Brasil. 2008.

  Todas as iniciativas alteraram o equilíbrio do ambiente lagunar: as marés mais freqüentes e mais altas alagam a cidade, a fumaça das indústrias desagrega os mármores e enegrece as pinturas, os novos canais para os grandes navios de carga mudam a circulação das águas na laguna. A população da cidade antiga, que alcançara 180.000 habitantes na década de 0, diminuiu rapidamente e se reduz quase à metade. Hoje tenta-se restaurar a cidade e ajudar sua economia, para salvar um patrimônio cultural que interessa ao mundo inteiro: mas se trata de conservar uma cidade viva, com os monumentos, as casas e os habitantes, isto é, fazer funcionar a ‘máquina’ antiga de conformidade com as técnicas e as exigências modernas."

(o texto acima foi reproduzido do Livro História da Cidade de Leonardo Benevolo)

imagens de Veneza http://cid-cbf475499ec82673.skydrive.live.com/browse.aspx/.res/CBF475499EC82673!12117 

Falando sobre VENEZA, a Praça de São Marcos – análise da forma urbana

 

Citação

VENEZA, a Praça de São Marcos – análise da forma urbana


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Veneza, Itália

Praça de São Marcos

A evolução da Praça de São Marcos parece com a que ocorreu com o conjunto da Catedral e do Campo em Siena, no que se refere à organização arquitetônica, que reflete a história destas cidades e de seus valores políticos e religiosos. Em ambas, as casas encaixam-se no tecido urbano formando uma massa compacta, visando a defesa da cidade, que em Siena se deu por meio da construção da muralha e em Veneza, em função das águas.

Praça de São Marcos, Veneza – foto beatriz brasil – 2008.

Em nenhuma das duas havia possibilidade de existirem vias axiais e qualquer espaço livre dentro do tecido urbano denso. Este fator determinou o forte contraste das praças e do restante da cidade. Fora estas semelhanças, as cidades são muito diferentes. De um lado, Siena está localizada entre colinas e vias de comunicação; do outro, Veneza é completamente plana, rodeada e com riscos de invasão pelas águas. Influenciada pelos laços comerciais que mantinha com Bizâncio, Veneza destaca-se por sua beleza arquitetônica e sua variação de cores. A cidade dos canais está impregnada de transparência brilhante, em tons de azul, rosa, branco e dourado, muito diferente dos marrons e ocres de Siena.

As obras arquitetônicas de Siena são relativamente anônimas, enquanto que em Veneza, o poder dos grandes nobres atraiu os grandes nomes das artes como Bellini, Giorgione, Tiziano, Canalleto, Veronese e Tiepolo, além de arquitetos como Palladio, Sansovino, Vigrola e Scamozzi. Nesta cidade se uniram as artes e em sua Praça de São Marcos, é alcançado o clímax arquitetônico, a justaposição de espaços e edifícios em harmonia com as necessidades da época.

As Forças do Lugar

A Água   A presença de grande quantidade de água exerce uma força notável na cidade. De início, experimenta-se uma grande sensação de horizontalidade; na primavera e verão, a animação nos canais e o céu azul concedem a cidade, efeitos de luz e sombra. A atmosfera de irrealidade do lugar se destaca com a conotação simbólica que acompanha as ilhas.

As Vias e as Vistas  A área da Praça ocupa uma posição central diante da boca do Grande Canal e conecta-se com a zona comercial, o Rialto, através de uma via direta. A posição das ilhas de San Giorgio e Giudecca, em frente à Praça, está diretamente no campo de visão de quem vem do Rialto pela via direta que desemboca na Praça de São Marcos. Quando aproximamo-nos da Praça pela água, vemos a ampliação dos canais que se dividem e equivalem às vias axiais existentes nas cidades, e o fechamento da mesma dando a sensação de espaço privado e definido.

O Lugar  O lugar está cercado por um labirinto de edifícios e ruas, nem encaixe intrincado que contrasta com a ordem e da Praça. O conjunto se beneficia do teor dramático entre os mundos antagônicos.

As Vias  Pelos eixos de contraste para onde convergem as vias, a Praça de São Marcos é o ponto focal que se orienta entre a cidade e a água.

as vias

As Origens   A primeira Praça de São Marcos surgiu no espaço que havia em frente a antiga basílica. O Palácio dos Doges, uma construção fortificada é uma recordação de origem defensiva da cidade.

Os Fatores do Lugar  Antes mesmo de estar terminada, até seu estado atual, a Praça de São Marcos ainda possui elementos essenciais que não somente resistiram ao longo dos anos, como foram elaborados com sensibilidade e deram êxito ao conjunto.

  Os fatores novos mais importantes são os que se seguem

a)      A implantação da Basílica de São Marcos como um volume dominante e com a fachada principal voltada para a Praça;

b)     A combinação e conexão dos volumes da Basílica e do Palácio dos Doges – que tem planta central, produziu uma malha ortogonal;

c)      A inclusão do lado norte da Praça em plano contínuo e oblíquo;

d)     A perspectiva produzida pelos ângulos oblíquos da Praça e da Piazzetta (em frente ao Palácio dos Doges);

e)      O desnível produzido na Praça seguindo a colocação escalonada das fachadas da Basílica e do Palácio;

f)       A localização do campanário no centro de gravidade e seu trabalho como eixo vertical do conjunto;

g)     O eixo viário/visual que liga o Rialto à Sede do Governo e à Praça de São Marcos;

h)     As fachadas voltadas para a baía;

i)        As fachadas do Palácio – uma com vista para a Piazzetta e outra para a baía.

A Combinação dos Elementos  Em 1173, Sebastiano Ziani, o Doge, comprou a terra que rodeava o canal Batario. Para remodelar o espaço, organizou um concurso onde saiu vencedor o artista Nicolo Barattiero, que produziu as enormes colunas de granito que se situam na Piazzetta San Marco.

Em 1176, a Praça de São Marcos foi duplicada de tamanho e a Igreja de San Geminiano foi derrubada para que fechasse o lado ocidental da nova Praça, cujo chão foi pavimentado.

 

Construíram-se passagens cobertas em volta da Praça (galerias), e casa e estabelecimentos comerciais, envolta do espaço. Durante o começo do século XIV, todo o perímetro da Praça era um espaço coberto e durante esse período, a Praça de São Marcos foi a melhor e maior organização de comércio da Europa.

As Fachadas   A Torre do Relógio, obra de Ludocci, foi erguida em 1499 e os três ‘mástiles’ em bronze são de Leopardi e foram incorporados em 1505. Depois da morte de Sansovino, Scamozzi assumiu o término da obra da Biblioteca e terminou a construção da Procuratie Nuove, iniciada em 1584. Neste trabalho o Campanário ficou inalterado e a Praça ganhou em termos de dimensão. Nos tempos de Napoleão, a demolição da Igreja de San Geminiano permitiu acabar o lado oeste da Praça.

O Volume Centroidal  (em cruz grega) O modo como foram implantados os volumes, tornou o lugar uma tribuna demarcada ao norte, sul e leste pelos canais. A planta em cruz grega da Basílica de São Marcos impõe uma forma regular com simetria bilateral capaz de dominar todo o espaço.

O Domínio Exótico  Uma série de arcos da Basílica oferece à Praça uma bela decoração. Todo o perímetro se junta com as cúpulas para criar um volume escultórico pleno de vigor e majestosa riqueza. Os arcos, as cúpulas e o tratamento geral, fazem com que o volume ganhe verticalidade.

Volumes Conexos em Contraste  A conexão entre o Palácio dos Doges e a Basílica de São Marcos é tamanha que, as formas centralizadas se reforçam mutuamente dando aspecto de um volume maciço e contínuo. A passagem que dá acesso ao volume do Palácio, mostra ter o mesmo valor de massa que a hegemonia da basílica, que está um pouco mais à frente.

A basílica se relaciona diretamente com a Praça, enquanto que o Palácio relaciona-se tanto com a Praça quanto com o canal.

A incorporação de pórticos nos pavimentos superiores dos edifícios situados na Praça, produzem sensação de que estão ‘flutuando’; o ritmo insistente das colunas no térreo, também presentes em todas as fachadas, direciona a circulação dentro da Praça. A basílica é um volume radicado no solo, que mostra sua ênfase vertical; o Palácio é um volume predominantemente horizontal que dá sensação de linearidade.

A Rede de Circulação  As formas se travam formando uma composição geral de conjunto. No ponto de união, uma via de circulação atravessa o conjunto e sobe pela escada (Scala dei Giganti) até o segundo pavimento do edifício do Palácio. Em volta do pátio, no nível do chão existe uma segunda via que leva até a Basílica. A rede de circulação conecta o Palácio à Basílica de São Marcos e estes, ao píer e à Piazzetta.

A projeção existente em frente à Biblioteca de Sansovino força uma virada em direção à Piazzetta, os seus pórticos e o Palácio dos Doges redirecionam-se com o auxílio do desenho feito no piso da Praça. As colunas que existem no final da Piazzetta representam uma barreira imaginária que ajudam a definir a mesma. A perspectiva reduzida com essa delimitação, produz a obliqüidade da Biblioteca e do Palácio, aumentando a sensação de demarcação.

O Plano Oblíquo  Os volumes da Basílica e do Palácio constituem numa combinação dominante, definindo com suas fachadas, a Praça de São Marcos e a Piazzetta em um campo ortogonal. A Procuratie Vecchie limita o restante da área da Praça em relação ao rio Del Cavaletto (atrás do edifício), constituindo um espaço em frente à Praça, plano e oblíquo que influencia no campo ortogonal e que obriga quem entra nele, à circular pela Praça.

O Fechamento  Scamozzi, mestre que terminou a Biblioteca de Sansovino, foi quem idealizou a Procuratie Nuove, fazendo o fechamento da Praça de São Marcos. O projeto recorre ao ritmo e à escala da Biblioteca, porém tem a finalidade de marcar a lateral da Praça.

Esse critério manteve-se ao longo da lateral oeste, exceto no eixo onde a altura se reduz a das plantas para seguir a linha da Procuratie Vecchie. O volume centralizado da Zecca (Casa da Moeda) proporciona um desfecho conclusivo à lateral do conjunto, que está virado para a baía.

Positivo/Negativo, Oblíquo/Ortogonal   A reclusão do espaço, mostrado no desenho mais ou menos regular das coberturas, abrange a Praça de São Marcos e o limite ocidental da Piazzetta. O efeito é de horizontalidade linear, os planos e seus componentes rítmicos são o fundo passivo diante do qual se apresentam os elementos mais importantes – a Basílica de São Marcos e o Palácio dos Doges. Esta grande estrutura dupla e alinhada escalonadamente, concilia a localização dos espaços, um dos quais, a Praça, que se difunde pelo ângulo sudeste sobre a Piazzetta.

Esta é a planta que tinha a Praça em 1550. Ela revela o dilema que gerou o fechamento oblíquo da Procuratie Vecchie. A obliqüidade da área conduz visualmente até a Basílica, entretanto em conflito com a ortogonalidade da mesma. Antes o Campanário localizava-se na fachada sul da Praça, e não havia sido construída a Procuratie Nuove.

A Praça   O Campanário que Scamozzi ressaltou ao construir a Procuratie Nuove e, pela sua posição, o elemento separador da Praça e da Piazzetta. Essa medida consistiu no fechamento plano dos espaços, dando a sensação de continuidade.

Este mesmo elemento ajuda a cercar a Praça, direcionando sua obliqüidade e, demarcando a Basílica. Qualquer desvio em relação ao campo oblíquo e ao ortogonal atuarem na Praça, foi corrigido através da pavimentação, dando força à fachada oblíqua.

Pesa sobre todos esses aspectos, a separação da Procuratie Nuove abandonando a ortogonalidade, até a curva que marca a Biblioteca em ângulo reto. A leitura desta ortogonalidade não pode ser observada totalmente até a Basílica e o Palácio, pois o desvio do eixo, algumas vezes imperceptível e outras não, é uma característica essencial do conjunto que reaviva e dinamiza as relações volume-espaço-plano.

A perspectiva reduzida resultante da obliqüidade do edifício da Procuratie Vecchie exagera na longitude da Praça, tanto mais quanto às colunas que não estão dispostas muito próximas, colaborando para aumentar esta dimensão.

A Piazzetta  Voltando ao Campanário e sua posição, cabe dizer que ele define e faz da Piazzetta um espaço linear que tem eixo mais ou menos coincidente com a orientação norte-sul. O extremo norte do eixo se encontra na Torre do Relógio, e ao sul vai até a coluna oriental que corresponde ao final da Piazzetta, quando chega ao píer. Os mastros são outros elementos com locais definidos, colocados em frente à Basílica, demarcam-na, conferindo-lhe a missão de ser o pano de fundo quando se contemplamo-la desde a Praça.

A Logetta de Sansovino, localizada na parte inferior do Campanário, confirma que a Torre tem o objetivo de indicar uma direção e de oferecer uma fachada à Piazzetta. A partir desta configuração, conserva-se a axialidade e dividem-se os espaços; o espaço dividido gera um outro espaço antes de chegar a Basílica, formado pela Praça e pela Piazzetta.

Contudo existe mais. A posição do Campanário condiciona que o eixo que compreende a Basílica e o Palácio, é o mesmo que leva a Scala dei Giganti à Torre do Relógio. O Campanário define o espaço da Praça e da Piazzetta e faz parte do grupo Basílica/Palácio e por extensão, se desvincula da reclusão de planos que rodeia os dois espaços.

A verticalidade do Campanário faz com que este, se relacione com a forma vertical da Basílica e é a causa do contraste com a configuração plana e horizontal da Praça de São Marcos. Juntamente com a Basílica e o Palácio, é um elemento importante. Um objeto no espaço, que não pode ser visto somente como componente de fechamento. A disposição das pequenas aberturas em sua fachada, dão sensação de rotação chocando com o relógio que existe na Torre.

O Movimento – desde o píer até a Praça – As Vistas  As vistas mais impressionantes ao se entrar na Praça surgem desde a esquina sudoeste e vão através da abertura da Torre do Relógio. Desde a esquina, contempla-se a Basílica de São Marcos e o Campanário, demarcados por um arco do pórtico da Praça. Quando se circula pelo labirinto de ruelas, a grandiosidade é magnífica e a vista não tem parâmetros na arquitetura.

as vistas

o movimento

Depois de percorrer o Rialto, seguindo a área do mercado, a vista através do arco da Torre do Relógio não é menos atrativa. Duas colunas demarcam San Giorgio Maggiori e a vista não se afasta da Basílica de São Marcos. Ao chegar ao píer, vemos o lado direito do Grande Canal e a Igreja da Saúde.

  A Interpretação        

A Praça de São Marcos forma um conjunto extraordinário que garantiu o êxito ao desenho urbano, devido a como se estenderam e se expressaram os elementos arquitetônicos. A Praça fala dos temas que tanto afetaram a arquitetura: o simbolismo, o magmatismo e o “genius loci”.

As várias contribuições dadas pelos arquitetos escolhidos por patrocinadores possibilitaram a conclusão de uma obra grandiosa da arquitetura que atua em todos os níveis exigidos pela arte. Com o tempo, o conjunto adquiriu a necessária integridade, feita com coerência, pois uma das tarefas principais da arquitetura consiste em representar aspectos passados e presentes da cultura. Isso se faz através do respeito ao que já existe, concatenando às novas construções.

Pode ser que a incorporação de obras adicionais nem sempre tenham sido perfeitas, porém, este detalhe deu mais vitalidade ao conjunto. Cada arquiteto deixou impressa sua personalidade, sem deteriorar o caráter unitário. As adições corresponderam às condições e necessidades específicas daquele momento, e daí surgiu a autonomia que brota do conjunto.

Da análise de cada edifício em separado, concluímos que todos possuem identidade própria. A Basílica e o Campanário são volumes contrapostos com fachadas dominantes; tem semelhanças com o Palazzo Pubblico e com a Torre Del Mangia em Siena, sobretudo, porque “abraçam” a praça e representam o poder e o orgulho destas cidades.

A exótica Basílica é um testemunho de suas origens bizantinas que comemora a posteridade da igreja e a vitalidade da cultura. Vendo seu interior e exterior, observamos que um é majestoso e exuberante e, o outro é destacado pela solenidade e mistério, um reflexo produzido pelo efeito da luz e da sombra (claro/escuro), baseados nos estudos da Idade Media.

A Basílica transmite uma mensagem religiosa e política desde sua posição de domínio. O Palácio dos Doges, situado na margem da baía e na Piazzetta, cumpre outro papel: mostrar o vigor gótico, aromatizado com a exaltação oriental, que reflete e é refletido pelas águas – é um modelo de vitalidade que remonta ao gótico, imprimindo forte ritmo em suas arcadas, e apresentando decoração rica.

A Biblioteca de Sansovino apresenta elegância e sofisticação, contrastando com o entorno. Este edifício coloca em evidência o progresso da consciência humana desde a Idade Média até o Renascimento. A Biblioteca, compacta, horizontal, com ritmo próprio e decoração copiosa, é tão poderosa quanto os demais edifícios.

Sem afastar-se da sobriedade renascentista, a Praça não impede o contraste entre o fundo e o primeiro plano existente na Piazzetta. Considerando que nesta, a diferença entre a Biblioteca e o Palácio, é inegável, na Praça os edifícios são uniformes como elementos de fechamento. Os edifícios estão lá para receber pessoas e acontecimentos, pois, sobretudo, para que acolham a Basílica. São Marcos sobressai em primeiro plano, faz valer seus direitos não só pela opulência das formas tridimensionais, mas também pela luz da tarde que proporciona efeitos de brilho em função dos mosaicos.

Um aspecto que deve ser observado na Praça é a obliqüidade da Procuratie Vecchie. Mesmo não tendo a riqueza escultórica das outras fachadas, possui força própria dominante de certa forma, vista do ângulo que forma com os outros elementos e do ritmo reiterativo do pórtico; a combinação destes fatores faz com que a Praça pareça mais comprida do que realmente é.

A Torre do Relógio é um toque pitoresco veneziano; integra-se ao edifício da Procuratie Vecchie, corta seu ritmo e dá identidade expressando sua função dupla: relógio e arco baixo sobre a via principal da Praça. A parte central, onde estão o relógio e o arco, converte-se em elemento que dá fim ao eixo conector com San Giorgio e através da Piazzetta. Comparando-o com a Procuratie, é uma forma viva, um agradável equilíbrio de figuras coloridas e alegres, por um lado e de pórticos importantes, por outro. A mistura de severidade rigorosa e teatralidade emotiva, re-aparece na relação dos binômios São Marcos/Palácio dos Doges com os demais edifícios.

A justaposição dispensa humanidade ao conjunto e assegura que se comuniquem com os outros a vários níveis, mediante a expressão de uma extensa gama de experiências sensoriais. A Logetta de Sansovino mostra um peso que engana seu tamanho, atua como um ponto de reunião e final de eixo, direcionando até a Scala dei Giganti. Com sua presença, a direção do Campanário não tem sentido negativo, mesmo levando até a Piazzetta, até a Basílica e o Palácio.

Não é possível falar da Praça de São Marcos em termos de estilo ou de desenho sem haver contradições; é preferível fazê-lo no que se refere a sua extensão e conteúdo. Da forma de muitos outros mestres, neste conjunto combina-se o formal com o informal, a unidade com a pluralidade, a energia e o controle. O volume, a superfície, o tratamento, a progressão e o conteúdo simbólico compõem uma equação arquitetônica que capta todos os nossos sentidos. E mais, sua mágica dimensão temporal transporta o homem frágil do século XX a um episódio glorioso de seu passado.

texto traduzido do Livro Estudo de la Forma, El Campo y la Catedral, Siena – desenhos digitalizados do texto

fotos beatriz brasil. 2008